quinta-feira, 31 de agosto de 2023

o que você precisa descobrir
cidade negra
ta-dan
tarararara
na verdade era
o -invada sua casa coração-
please dont stop me now
tarefa do dia:
arrumar as plantas para que eu páre de chutá-las enquanto me embalo na rede
a rede. a grande máquina de conforto
a chave phillips diante do parafuso
aparafusadeira elétrica (diabos, perdi meu kit de chavinhas)
-ou os abutres roubaram-
há coisas que é melhor não mencionar
pois afirmamos algo
não afirmamos o contrário disso
se não afirmamos, não impostamos isso. não é graças a nós que isso está posto
depois de posto, objeto
ob-jektum (jogar sobre)
(vs. jogar pordebaixo o sujeito substantivo assunto da questão
tarefa número 2: o que é o dinheiro? doá-lo? torrar as poupanças?
-imensa fogueira potlatch da despesa global-
-a macro despesa do ciclo do sol-
de volta à cigarra e à formiga
era sempre sobre o verão e o sol
hélio hílio hyperiom
elã ela ele o gás nobre a letra L de luz cercada de éter e da altura do céu e das núvens Superiores (o que está no alto)
o Astro-Rei da astronomia
e a economia não é apenas um sub-ramo da astronomia? da geonomia (a ciência impossível)

- discordo: como dizia newton, as leis da terra imperam nos céus. o que está no alto é como o que está aqui, embaixo: não há nada lá em cima, newton ensimesmado em seus espelhos e máquinas 

sábado, 19 de agosto de 2023

- Meu amor, você viu a fralda?
- Só Xixizão, mais uma vez.
- Já faz 48hs que é só xixizão. Ai meu deus... O que ele estará preparando?
- Amor? Vamos comer mais mamão? Tô brincando...
- Será que mantemos a fralda de pano? Ou esperamos isso "acontecer"?
- Ainda não entendi em que lixeira vai a fralda de pano usada?
- Cuidado que pode sair um jato! Existe manusear bebê de várias formas, mas também tem a modalidade que é isso acontecer com ele cagando. Dito isto, elogiemos os "quadrados de algodão". Que tecnologia finíssima.
- Garrafa térmica para ter água morna em sua bundinha...
- Em um pratinho de cerâmica! As fraldas de pano são lindas
- Ele fica parecendo uma "coxinha"!!!! Redondinho embaixo
- Isso foi um arroto?
- Odiei aquele vídeo do "o que fazer se ele estiver engasgando". Melhor ele não engasgar
- E a enfermeira que falou que você não pode dormir, a qualquer barulho dele ele pode estar engasgando? Que sempre tem que ter luz acesa pra poder ficar verificando?
- Ah... Isso era só no início... ?? Não vamos entrar nessa não
- Tenho pensado que a grande questão é ter um sistema de sono que não envolva contato físico direto: uma rede, que eu balance sem estar dentro dela...
- Mas ele é tão pequeno!!!
- Em que velocidade isso cresce? Planilhas de fraldas cuecas e meias...
- Amor, precisamos de uma máquina de lavar nova?
- Querida para mim bastam os 3 varais. Isso é genial, mesmo.
- Ok agora enche a minha garrafa, preciso beber 4 litros de água!!
- Amanhã vai fazer sol!!! Vamos tomar!!!!

terça-feira, 15 de agosto de 2023

a mamada é um beijinho
nós ficamos dando mamadinhas
o músculo da sucção
da língua
como uma galinha ciscando milho
meu filho acha que está caindo
estica suas mãos ao contrário
como reflexos
o gatinho que esperneia bombeando as tetas da mãe
lobas de 6 tetas, 8
e os lobinhos pendurados
seus olhares de repente. de olhos muito arregalados, contrações aleatórias no rosto gerando expressões faciais fortíssimas
cabecinha pequena,
de pescocinho bambo

segunda-feira, 7 de agosto de 2023

coisas dessa vida de pai

Fiquei 5 dias seguidos com a mesma roupa. No meio tempo o pessoal trouxe várias outras mudas de roupas: para o bebê, montes, e até algumas para a mãe, e meias. Eu pedi meias, especificamente: e me trouxeram meias de bebê. ah, você existe? verdade que eu também me esquecia de me incluir nas listas...
A crítica usual ao pai na maternidade é uma em que mantenho a atenção em mim, sem dar atenção a elas (mulher, criança). Não é muito comum retratarem a cena "anterior": a cena em que eu pai não sou nem subjugado; sou esquecido - em uma cena absolutamente centrada nelas.
Vou contar de mim, pai, também porque sinto meu ego ferido ao simplesmente não fazer parte da história. Ser inútil.
Constantemente eu era esquecido no hospital. Hoje esqueceram meu almoço. Chegou 2hs depois de telefonarmos.
Quando desci para ir ao cartório, na volta fui barrado pelo segurança e obrigado a me identificar na recepção, pegando uma fila. Sendo que eu acabava de ter passado por ele.
Logo em seguida, no final da fila da recepção, cheguei falando "meu FILHO está aí" e responderam "qual o nome da mãe" "W" "e você é quem" e realmente, que energúmeno eu era de achar que deveria ser reconhecido como pai (o nome da criança no sistema é "RN de W").
(Enquanto isso, a mãe estava de pulseira, fortemente controlada no mundo do plano de saúde, acho que nem podia sair sem que fosse dada alta. Houve um pequeno ritualzinho ao final, em que lhe cortaram a pulseira).
Eu fiquei muito puto com esse episódio de me barrarem (depois aconteceu de novo), porque na verdade ele era o topo de um iceberg de cenas que aconteciam.
Ser realmente inútil em uma mundo das mulheres. Nessa peça, poderia ser qualquer pessoa na minha posição. Não importava a minha posição. Realmente, importava a bebê
e importava a mãe já que ela é essencial para a bebê
e importavam as enfermeiras e médicas que debatem e ensinam e conduzem e fazem isso, e os médicos que se inserem nessas maternidades de mulheres e cuidados dos novos seres, cuidados domésticos
Mães no centro. Não estão em oposição a pais. Existem, antes dos homens. Os homens não estão nem muito bem definidos: algumas bebês têm piru, algumas crianças, algumas pessoas, qualquer coisa pode ser o pai; afinal no processo todo o homem só existe "especificamente" pela sua faísca; no resto ele não está nem de longe no centro das atenções; ele é esquecido; ele nem é muito bem definido: é qualquer coisa que vinha flutuando por ali, o mulher na munda de mulheres? pau duro na massa de mãos-mães-irmãos-irmães mulheres-milharal-mil-molho de mulheres)
Questões de gênero. Ou da gênera feminina. Acho também por isso usar gênero neutra, não acha?
(O grande debate da decisão do sobrenome afinal. O nome é fácil: é qualquer coisa. O sobrenome é uma grande decisão de cercas entre famílias, e projeções das filiações dos pais.)
As refeições dela, eu tinha também direito, mas ela tinha ainda "colação" após o café da manhã (davam muito café e açúcar, por alguma razão? e laticínias) e lanchinho da tarde e até mesmo chá noturno; eu passava fome, mas minha família nos encheu de lanches
Em todo o fuzuê agora em torno da mamada, da lactação, do aleitamento, da amamentação, da sucção da chupada do leite do seio do peito da auréola do bico... e eu não sou nada, não sei nem tocar direito naquilo, nem fui convidado...
Eu mesmo, que no direito materno sou definido pela presença constante doravante... Que no direito paterno sou uma espécie de dono, proprietário.
Ao menos a posição no parto - em que eu fiquei atrás dela, e ela se apoiava em mim entre as contrações, antes de me abandonar no momento final, em que estava concentrada no que estava à sua frente, ou embaixo; o que vinha à luz de entre sua dor e seu corpo baixo, sua sentada espreguiçada de dor cólica, força espremida - ao menos essa posição (em meio à sangueira - de que normalmente desmaio, mas ali isso foi por demais banalizado; e de sua buceta saem flocos de pele e sangue coagulado, ou coisas densas como um fígado mas que se desfaz antes da loucura que é a placenta (a árvore da vida, em que o fruto é a bebê - a placenta (que eu plantei? em uma pré-menstruação dela? com o pólen que trouxe da árvore de minha mãe?) a placenta de chumações de sangue cujo tronco está esticado como uma bolsa de saco plástico com seu líquido amniótico onde a bebê flutua com sua pele mergulhada no líquido (a bebê não respira, seus pulmões são colapsados; o grosso e veiudo cordão umbilical (da grossura quase de um de seus braços) que lhe fornecia ar ao nosso peixe de aquário) bebê coberta de uma gordurinha branca vérnix... placenta banhada pelo sangue venoso, diastólico do contraponto da pressão, com menos oxigênio e hemáceas de feto - as quais ele tem de trocar em poucos dias após nascido, transfusionando todo seu sangue de bilirrubina em hemácias de ser que respira - e assim praticamente "trocando de sangue" na primeira semana (a falha desse transfusionamento é a icterícia cujo combate requer a sol, o luz)...
- Ao menos nessa posição de parto dela eu "tinha" uma posição (ao contrário da de 4 apoios, ou deitada de barriga para cima - nesse cócoras haviam se lembrado de me incluir no ritual; atrás dela onde eu não atrapalhasse (apenas lhe apoiasse o entregar-se, lhe soprasse palavras); enquanto nas outras eu era simplesmente esquecido; um saco de lixo; um trapo, um obstáculo na cena: que não sabe fazer nada, que não sabe especificamente bem motivar ninguém naquele contexto, que não sabe meter a mão
Houve um grande debate entre médicos sobre a minha tentativa de ser ela a primeira a ir para casa. Minha irmã que me aconselhou ceder (a médica defendeu que W fosse para casa, a enfermeira não se posicionou abertamente, mas o médico que trata do garoto (o pediatra, um pai - mas poderia ser a pediatra, uma mãe)(como poderia ser o médico obstetra, o enfermeiro obstétrico, o masculino da obstetriz, o masculino da parturiente, o mãe... será?) esse médico me deu uma esculachada, que eu estava querendo "sofrer por ela" enquanto ela que tinha que encarar: que a gravidez não é fácil mas ela é guerreira e vai enfrentar a parada - que aliás não voltar logo pra casa não é a cena horrível que eu ficava pintando, tentando aumentar meu valor - eu que claramente estava me forçando e deveria sair para descansar, e dar uma volta - eu que estava "competindo" com ela sobre quem era mais bravo - tentando, finalmente, chamar a atenção para mim
Sim, (reflito agora, em meio à tessitura de chumações dessas faíscas lembranças fritando na língua) eu tenho que voltar à posição em que não carregava tanto as malas para ela: porque desde a gravidez, ela foi se tornando mais passiva enquanto tudo eu acionava... Até que agora, é tudo sobre ela e sua fúria de hormônias e a bebê gritando; e toda a revolução do lar (da lar) no império de sua majestade, a bebê

quinta-feira, 27 de abril de 2023

Versão 34: nota sobre a introdução.

Este livro se ergue contra o Jeroglifo Monádico de John Dee. Aquele livro define a oposição principal (a primeira, de onde derivarão todas as outras figuras) como a do círculo e da reta. E a partir daí, dominando tanto o círculo como a reta, parte a abordar os diversos casos das duas posições: uma arquitetura de conceitos que recobriria o mundo, em suas oposições principais. Calibrar todo dualismo, inseri-lo no mega-esquema balanceado e dinâmico.
Mas no nosso livro, neste livro de que estamos tratando, a autoria se desvencilha dessa tradição dos imperadores britânicos. A oposição dos dois termos - círculo e reta - não é o maior mistério. O maior mistério pode ser a própria reta, irreal, ante o círculo, orgânico - e daí a entrarmos falando das retas e do mundo abstrato que toma metade do real. Teríamos o vácuo da matemática reta ocupando metade da oposição principal.
Mas neste livro não, desvencilhado do jogo de poder que a posição geômetra faz, com suas retas e maquetes, miniaturas do mundo, retas de arquitetos traçando planos mentais...
Essa autoria enxerga o mistério anterior à reta, que é o do próprio círculo em si. O próprio círculo já contém o dualismo, não precisa da reta. No mais, as retas não existem: o mundo é curvo. Não, a oposição primeira não é do real com o abstrato: é de duas facetas do real: o real existe em colisão de dois princípios materiais. Todo círculo possui uma cerca redonda, mas essa cerca também define um centro. E o centro da própria cerca é a abertura, o olho, a tradução do dentro do fora, atravessar a porta. O círculo impõe já desde antes, tão-somente por existir, um dualismo poderoso. Centro e Cerca, cetro e... tamanhos, corpos, a extensão de um perímetro: uma área, um volume no espaço, um sólido, uma presença possivelmente imensa.
O conceito mais simples de se ver é então C, o conceito. E o livro opta por iniciar pela letra C.
A hipótese do livro é então apresentada: dentro da letra C vigoram os dois princípios M e P que fundam a manifestação dos dois pólos de C: o centro (a boca, o cu, o sol, o olho, a porta, o interruptor na parede, o caminho correto) e a cerca (toda a pele do corpo)
Um pólo acertado então entre a operação de R (nos centros) e T (na cerca, nos tecidos em que R impera, ligando com sua linha entre centros-furos).
Estas são as letras terrenas, que pulsam em C, antes mesmo de se colocar a questão da reta. "Antes", pois num sentido originário, "Fundamentalmente", "Empiricamente", "Diretamente". Sem a abstração, já há essas letras: c e C (P e M) R e T
Para chegar na questão da reta, da Linha da Luz, do que vem do alto, aLTo. O "em cima", essa noção espacial autoevidente para um ser que caminha sobre T, a terra... O vácuo do céu, seu abismo. Para chegar em L, só a vemos através de F, o forro limitante da finitude, e que se expressa em L ser um efeito expresso em F, impresso em F, a ponto de L tornar-se uma miragem fantasmagórica. E o materialismo toca no imaterial. Toda a roupa que o imaterial veste...
Eis o segundo postulado, após a hipótese M e P pulsando em C.
Que L vem do inalcançável, justamente, vem do além de F a nossa forma humana. Que L é por definição inalcançável: é o mistério, as deuses.
E mesmo tendo dito isso, o livro propõe exatamente isto: cobrir de F o caminho de L, ocupar a língua perfeita, ser o sol com os olhos, subir às alturas materialistas construindo a Babel Verdadeira: a cidade-biblioteca da língua vestida, encarnada pelo povo que aprende a se comunicar com a língua verdadeira: peças de letra que se encaixam formando uma vacina contra toda leitura mitológica: análise combinatória de letras. Com minhas letras, jogo com 7 conceitos cujo eixo é C e os pólos P e M ressoam por toda a estrutura, ecoando ao redor de C como R em T, ecoando em L sobre T, ecoando em L sob F, ecoando em C em T...

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nosso mundo atual é fundado na representação valendo pelo real. A maquete, o modelo, a ideia - essa versão decalcada, essa sombra vodu, alavanca de arquimedes, MINIATURA que contém tudo que a versão empírica, direta, possui de estrutura e sentido, deixando de lado apenas o ruído, o preenchimento, a segunda metade de amorfo e irracional... como se se pudesse fazer essa separação, quantos % é de cada lado!

este bibelô de 7 letras, então - o livro que estamos lendo - pode servir a categorizar toda mitologia e todo dogma, toda verdade científica: é uma máquina de dissecar em 7 elementos extremamente polarizados e estruturados, em dinâmica que expressa o real
mas será este o seu uso?
discutir cosmogonia, e mais e mais princípios de pensamento (a morte do autor, a matrilinearidade jorrando)

domingo, 2 de abril de 2023

límpida leve límpida leve límpida leve desenho desenho risco risco risco bom bom bom bom o bê já sorrindo. Do que está rindo? eu estou sorrindo. Sorriso. Lua lua lua lua está cheia como um pneu cheio. Chuá chuá faz a cachoeira chuá chuá faz a cachoeira será? será que será? Ou... sessessesserrote. Abstruso digo absurdo. Tão bom ouvir tocar o piano - Dedos dedos dedos dédalus dédalo

sexta-feira, 10 de março de 2023

Mas qual o sentido disso tudo?

Não é sobre sentido, o sentido por detrás é descolado da matéria, é decolar. Queremos a matéria, o materialismo/matrialismo. Ficar apenas no concreto, como um texto sem objetivo. Não atravessar. Fazer frases inúteis, que se interrompem.
Achar que a língua é muito simples, é como uma matemática de letras, queremos voltar a uma língua mais simples.
Simplesmente aqui, há a materialidade de conter, de prender algo. Pense no gesto com as mãos, de conter. E soltar, liberar. Esta é a letra C. A matéria se dá em corpos. Descrevê-la, a matéria, a língua, em sua obviedade. A letra M leva à letra C.
Há a emissão de uma coisa, lançar, um corpo que expulsa outro, seja um parto seja um pai. A letra P. E a conexão entre corpos, um fio, um cordão umbilical. Um canal de M. Ambos fios, Ps e Ms entre os corpos, formam a letra R em suas ramificações.
Há um chão sob tudo isso, que o chão é muito concreto, muito presente. A letra T.
E eu, meu corpo (e o seu) tem um alcance, até onde a vista alcança, até onde chego, de até onde recolho. Seja um limite, uma borda externa. Ou minhas terminações difusas, quando o corpo se dissipa em dedos, em cabelos. Meu tamanho, esse corpo, o tamanho de cada corpo da matéria. É apenas um tamanho, em meio à escala, à multiplicidade que apaga a individualidade P em uma massa M. É a letra F.
Ver isso não só como um gigante, mas também como um grão de poeira. O tamanho, o alcance, a escala tem uma presença material impressionante. Quem é mais alto. Uma hierarquia de R. É a letra L.
Há um dentro e um fora, e a divisória... e vamos construindo assim, e nesse caminho vamos encontrando muito do que chamávamos de SENTIDO anteriormente. Mas não precisamos sair da matéria para encontrá-lo, pois ele mesmo é material - não está atrás, é ela própria: a matéria é o sentido dela mesma. A língua é a matéria, são palavras mágicas antigas, que esquecemos. Ao colar a sombra no corpo, retomar a matéria. Retomar a letra T: o nosso tamanho correto, que se perdeu nas alturas da letra L. Nada há na mente transcendente, somente o aqui e agora existem: e dentro deles, tudo. Eis o mundo.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2023

Neste país que era uma pedra em meio ao deserto, e um céu escuro plúmbeo como noite de trovões pesados, a rocha era cortada por caminhos feito fatias lhe subindo, e em meio à rocha havia uma porta colada ao seu umbral de aço, inclinada para um buraco, dando num túnel torto. No fundo deste salão cinzento e quente, abafado, Mestre Odara ia começar a grande batucada, e os músicos e todos se achegavam com tambores e atabaques; eu me aproximava de mansinho, ruim que sou.
Mas era também hora do almoço, e vinham chegando os pratos como cuias imensas cheias de salada de repolho e cenoura com molhos, além de tantos quitutes a curry forte e outras vasilhas com mais coisas boiando suculentas, os amigos iam se esbanjar cada um com uma dessas bacias - e sumiam, pesados, nesse final da manhã. Apenas eu, que sentia enjoos e barriga cheia, mal provava do almoço e me achegava a Odara, que vinha passando o toque básico, em seus meandros. Mal consegui imitá-lo, mas, único ouvinte, me acheguei e ele se lembrava de mim: estava mais velho mais sugado mais magro, e se possível ainda mais exímio; me interjeitou duas frases e insatisfez da resposta; mas abriu seu caderno com tantos toques, corrigindo ali uma notação.
Era uma notação de pontilhados monoespaçados em fileiras que formavam o desenho de um cubo, e ele ligava alguns pontos conforme o toque. Eu exclamava, da necessidade de mostrar isso ao Fonte, a notação verdadeira da batucada, e a página do caderno era isso de cubos de pontos e algumas ligações anotadas.
O público, se havia - além das transmissões gravadas para projetar no lado externo, em meio ao deserto e vigas de aço levantadas em andaimes como num show arruinado - o público na caverna era do povo local, enquanto os turistas gringos se fartavam na comida e sesteavam numa paródia da Pedra do Sal. O público local, então, era uma visão pavorosa.
A caverna era um túnel de mineração, de metais pesados e ouro líquido que subia em poças revoltosas, os homens ficavam com a pele coberta dos metais cancerígenos, e custavam se limpar: eram homens e mulheres compridos e magros, deformados com a pele manchada, muitos sem dedos ou mãos ou tantas outras partes removidas que depois entendi por quê, andavam como sombras trajando trapos e mergulhando no breu para cavar a triste pedra até desfalecer. O metal mais precioso, pelo roçar do corpo nas paredes, ia sedimentando em partes internas da pele, no punho, no peito, nos dentes, e quanto formava cristais grossos e perfeitos o povo se mutilava num frenesi contente de riqueza e perdição. Um que estava ao meu lado tinha na mão como uma pirâmide prateada apontando por debaixo da palma, um troço de ferro já a pesar bem meio quilo, e ele sorria sem os dentes da frente (arrancados por guardarem também uma pérola) calculando o valor que teria quando perdesse a mão.
No fundo, tocava a música que acordei ecoando, perdido do toque de Odara, naquele país de areia e escuridão.
Ah, um rato de lava...
Ah, cair no chão...
Ah, sentir a cova...
Ah, que solidão.

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era assim a notação, ele ia preenchendo com sua caneta Bic conforme o toque


sábado, 22 de outubro de 2022

por que me demito

porque vi gil ao vivo e é lindo ir num recital e ser movido (e ver a turba em uníssono, viva dioníso)
porque viva vaia, viva vaia, às vezes o que se requer é realmente uma expulsão, uma autonomia
um desvencilhar-se
como uma serpente saindo da pele antiga
porque o documentário do itamar
e a gazeta, impressa
a usina
e o sul, viajar lá, a porto alegre, e ao Oeste rural
e a minha saúde, minha casa, meu aprender a cozinhar a boa comida e dar a boa festa, que a festa é uma coisa muito boa, para todos, imensa cura coletiva dar uma boa festa
includente
ser do lar uma festa includente, uma alegria
porque preciso passear em outras partes da cidade. não dá mais. já não vou há tempo demais.
porque rever maricá cdd, e rever o trem vt.
porque alerj, porque ir a bsb pesquisar na biblioteca bcb
e denunciar niemeyer
e panfletar pela reforma eleitoral do calendario e do legislativo como o pior dos poderes.
não é todo P uma arquia
o P abunda, toda a criação se faz com M e P
o movimento e a pausa, o contínuo e o descontínuo: uma metafísica que nós, muito perdidos em termos de nossa autocompreensão criativa e dos processos corpóreos da reprodução coletiva, nos atrapalhamos inteiramente na sua relação com o gênero e na relação com a política, e daí a horrorizar-se com a própria ideia de liderança e de representação, destruir imagens, vaiar até abolir, sem fundar (sem propor, construir)
eu sou estruturalista: acredito na existência da criação, de que devemos tentar controlar a magia, aprender ela, pensá-la (e não somente ignorá-la e agradecê-la, como fazem os sem produção. aquele texto de lavoie como central: nossa diferença contra eles - e é uma diferença calcada na diferença primordial DO POSICIONAMENTO QUE UMA ALMA PODE TER em termos de primavera e inverno. o dualismo maior
CONSTRUIR A PRIMAVERA, ATIVAMENTE. ela não vem sozinha, a cigarra trabalha demais.

qual meu lugar?

procurar intervir, ser invasivo, taxativo, assertivo, espaçoso até
ouvir, muito, muito atento, em golfadas intensas e diretas
as coisas estão muito aceleradas
sempre em busca da voz dela não almejo impor, realmente, o meu lar: não é a minha vida. é a dela, que ela faz como quiser
e realmentes só procurar ajudar ela, ali de dentro da biografia dela, ela mesma, a voz dela, o espaço dela.
se ela me pede uma decisão, eu sou um ouvido muito atento, procuro desvencilhá-la de ver tudo como uma catástrofe
fico feliz quando ela "tira palavras da minha boca" e ao contar todo um infortúnio e uma tristeza já conclua com a afirmação positiva: mas então perder meu alcoolismo, tem de se em nome de um novo prazer (e o esporte aparece, aquela casa, a praia... o sol...
e como se tudo isso refletisse teorias da autogestão
agora tornadas algo muito mais autônomo em relação a qualquer disto...
talvez a teoria do irmão
filhos únicos não compreendem diretamente (umbilicalmente) mas apenas através de primos
esse artesanato que é fazer corpos em série
quando a série é maior... irmandade que atravessa as idades, mediando massas de gerações: lares
manter de pé um lar
---
e mais do que brigar (no que sou mais defensivo) pratico uma desobediência
o texto da anarquia como realmente o texto principal... em que me miro, porque revela as etimologias (aquele texto foi escrito como um mapa da etimologia... e pelo seu próprio embalo se casou com o anonimato e o analfabeto de uma maneira... viva a morte do autor, evoé nós, leitores de nossas próprias autografias bios vidas
conseguir VER e designar a posição arquetípica, arcaica, arcana
que as próprias PESSOAS, enquanto vanguardas, lideranças, personalidades específicas, relações com o próprio ser que está lendo isto, que tem nome e participa de uma hierarquia específica de familiares chefes e a turba
mover-me na relação com o outro, como uma relação em que consigo PARTILHAR A AUTONOMIA DA ABUNDÂNCIA
conseguir, efetivamente, doar-se (e não envolver-se em dívidas) voltar à dádiva
VOLTAR À DÁDIVA
este o meu lugar... primavera, venha, venha
inverno, vá
de volta a conclamar a PRIMAVERA perdida nestas décadas de inverno; voltar ao imperativo telúrico da cigarra contra a formiga, da invocação da fertilidade em seu brotar (como leite e mel)
localizar o éden terreno: o princípio da geração, a criação, ocorre em tudo: tudo está se criando novamente a cada momento (e nem existem momentos, existe o tudo em expansão, a abundância jorrando em tudo que existe, pois só existe a matéria vibrando uma abundância de existir
e sim, há coisas maiores do que as pessoas.
(de volta à física de husserl, como conseguir pensar muitas pessoas, sem imaginar-se o arquiteto: como entender minha pequenez, sem imaginar-me grande, vendo essa pequenez de fora - como entender minha grandeza sem imaginar-me pequeno, vendo-me enorme assomar
como entender o meu tamanho?
a justa medida, a roupa em que caibo
as leis como calças bem ajustadas, a roupa perfeita para o meu corpo
o texto da anarquia como principal? como arquetípico, arcaico, arcano: praça, encruzilhada da metafísica, onde encontro antigas estátuas semi-enterradas. o ponto de início, e a vanguarda que toma uma decisão: ordenar; ser um bom ordenador
e viver os prazeres...? não era a ideia de epicuro, regrá-los? de fourier, uma economia (anarquista, utópica) dos prazeres?

quarta-feira, 12 de outubro de 2022

Inexiste o passado

Voltar a Husserl: a terra não se move; de fato, a terra não tem passado, pois é ela o eixo de onde nasço e morro: próprio solo do firmamento onde toda a existência se dá, ponto de referência primeiro, eixo zero, início, alicerce de toda a física
Invadir os cientistas com a definição matrialista da física, a definição fenomenológica baseada no fato de existirmos enquanto corpo, enquanto este corpo
Refundar a física baseada na escala humana, tátil quase, a física experiencial antes que experimental, a física intuitiva que sentimos ao defrontarmo-nos com as dimensões da grandeza, do abismo, da vertigem, da amplidão do horizonte e do muro, do movimento e do jogo dos ventos das águas das terras pedras minérios metais
Fundar a física, e dizer: além disso, é meta-física, sempre! Não me venham com experimentos, é tudo meta-física, a metafísica está presente em toda a ciência, abstratíssima, e distanciada há muito da escala humana, em seu mergulho metafísico com início há alguns poucos séculos
Voltar à física como à revolução ecológica do parlamento das coisas
Viva Bruno Latour e seu Jamais fomos modernos

A LÍNGUA ATLÂNTICA

O texto pode virar uma catedral: podemos atravessar aquela voz, aquela linha de raciocínio, com a plana visão do alto, área de polígono aéreo (vitória do leitor, que atravessa o passado)
Mas quem escreve sempre mergulha num ralo fundo, batendo com prego e dando tiro em buraco, às vezes errando o caminho (becos sem saída, esbarrões brutos)
Afinal escrever é abrir as palavras para torcerem tudo que digo: entrar remando com a canoa nas águas da fala, e daí a navegar nestas miragens, esbarrar em estátuas colossais meio mergulhadas na água, de um continente afundado
Atlântida, as ruínas das palavras, emergindo do nada com seus contornos, volumes, e que então nós vestimos: feitas de penas raras e braceletes, ossos em colares, chapéus, calças e sapatos: o puro signo artesanal, que guarda os formatos de sua simples herança
Língua, "a menos natural possível", "a completamente arbitrária": e daí a amar suas especificidades, língua minha querida
Língua com que almejo fundir almas em um laço
Língua-Laço: filha da Luz, anterior à Lei
a Linha com que costuro
a letra L: esta miragem que encontro, este colosso saindo das águas, a ascensão da letra L erguida aos céus e à altura
L a Atlântida em que esbarro, ao mergulhar nas palavras arbitrárias, e ver ruínas de uma sabedoria maior, por debaixo dos signos
sabedoria dos deuses antigos (não existe o passado, anulemos a história)

sábado, 1 de outubro de 2022

Xenofonte

porque o trabalho do economista ainda é o de xenofonte
- fundador da palavra economico em seu diálogo Eiconomicós -
lavrar e defender uma terra, sob um sol: colher frutos de um terreno de natureza
defender Eco o lar, a casa, e a família e os agregados em reprodução
e alimentação, a arte de organizar uma cozinha (e uma despensa) sempre cheias
de alegria de funcionamento pacífico, fluindo para a abundância de todos
outro livro do xenofonte é a Anábase: Ascensão, subida
da raiz Aná-logo Aná-lise Aná-tomia Aná: subida
distinta de An-árquico
e o livro conta a história de sua "gestão" num exército que, após uma invasão à pérsia, depois de muito tempo tem que fugir, e ele ajuda a organizar as tropas a ir saindo dessa enrascada e voltar à sua terra natal
Aná-base, a história de uma arquia ou an-arquia (que vontade de escrever: aná-rquia, an-ábase)

sábado, 10 de setembro de 2022

7 de setembro?

1822 foi nada. a data importante ainda vem e é 7 de abril de 2031, 200 anos da revolução brasileira
hino a esta terra amada do brasil e sua terra, a paisagem e o país, a matrilinha ela mesma: a região onde estou. hino a onde estou, onde é meu lar, hino à minha terra (anterior aos nomes) ela mesma
eis um texto então como uma rádio mec e roquette-pinto , após o hino, temos na programação de hoje uma peça sobre a descida da luz na matéria (metafisicamente) e depois da peça temos um registro técnico sobre a importância das nuvens no pensamento.
INÍCIO DA PEÇA
A COR - Como um quatro de copas, alinhado ao travesseiro. Alegoria do quatro-pontos, etcétera, abismo.
O FIGURA - Falas através de enigmas. Posso falar diferente: o texto tem uma métrica oral, toda frase se lê aos fôlegos, e é possível ir subindo a fala (o raciocínio) de pouco em pouco, até qualquer lugar! Falar dos temas mais difíceis, de maneira clara!
A COR - Dizes Clara? Pensas que dominas a arte das escadas? Constróis com as plantas, e tua razão? Posso percebê-lo como Clareiridade, a inauguração da Clareira da luz - na floresta, em meio ao ofuscado, o fora da luz e dentro da mata.
FIG - Talvez seja isso mesmo, criar a arte da fala, essa métrica, como um iluminista que vem e pousa na cidade, trazendo a luz de banquete para seus concidadãos. A cidade, que existe dentro da mata-planeta. Um iluminista e seus raciocínios, suas investidas aos trôpegos... nos levará a toda a realidade.
COR - Mas e os avistamentos? Os saltos que não se alcança pelos incrementos? Avistamentos vívidos e visíveis da evidência? A visão?Quando vemos, e apontamos, e sabemos que não é pela minha visão que os outros vão ver aquilo sob a luz. A iluminação da luz: o milagre de algo se evidenciar na clareira. A brilhanteza de uma idea pulsando como um avistamento: como exclamar "Eureka! Tenho a solução do problema" como levantar um estandarte das grandes bandeiras
FIG - Chegaste ao ponto exato: bandeiras. Bandeirante, fascinado com seu poder de dominação corpórea sobre a existência, eu irrompo (agora sim) sobre as matrilinhas, com minha patrilinhagem.
COR - Sabe, é recente a descoberta de que as patrilinhas é que são linhas, quando a teia das matrilinhagens engloba as próprias linhas, em seu trançado. Sim! Viva Zapata! Viva Bachofen e seu livro Direito Materno, inspiração
FIG - Eis que tu, também, assumes uma patrilinha: falas de um iluminista que pousou com sua nave, ergues uma bandeira...
COR - Veja bem para onde diriges teu olhar! A bandeira da não bandeira, no seio da matriexistência das forças impulsoras sob a própria forma, no amorfo solo freático da impossibilidade de seu conhecimento piramídico...
FIG - Piramídico?
COR - Não passarás! Cada gesto guiado pela Vontade, Vênus da matrilinha que Rege as rédeas dessa matéria: sob as Formas da Luz, o rugido da matéria!!!
E o duelo prosseguiu, inexistência adentro, como raízes - como chuva penetrando - se ramificando e desfazendo-fundindo - como mergulhar no sono, de volta à nascente do rio, de volta à nuvem
FIM DA PEÇA
E aqui um registro, apenas para registro.
Se estamos convencidos de que é preciso resgatar o projeto fenomenológico primeiro, de Husserl eu acho, de derrubar a física (e toda a metafísica que lhe acompanha, com suas analogias) piramidal, e reinstituir a física humana, na escala humana; se neste projeto queremos por limites metafísicos a qualquer empreendimento de pensamento de determinado tipo, e se então recusarmos a priori qualquer raciocínio que se arvore árbitro-deus, que se erga à pirâmide em algum momento do raciocínio e se assuma, mesmo que por um momento, que é um extra-humano, uma visão do alto - em suma, em uma recusa meticulosa à visão do alto -
Então que poderiam ser as nuvens???? Onde não existimos??? Onde subimos em gestos de loucuras naves e quedas absurdas, pássaros e vento sons e correntes nuvens? nuvens onde jamais entramos, realmente - onde nunca enraizamos, onde não moramos - Que seria morar numa nuvem? ou num tornado de nuvens em seu roar de trovão? Nuvens, que só vemos, avistamentos... A altura se desfaz quando não globalizo (quando recuso o deus do globo) e assumo o deus terra como ponto de partida para a física, como solo onde enraíza a lei natural da física, a natureza ela mesma, a terra
Que seria, para essa metafísica fundada na terraqueidade da terra e de todo nosso pensamento... que seria morar na lua? Mas é claro que lá - lá não pensaremos igual.
Que poderiam ser as lindas nuvens que avistei, essa manhã, nas praias da terra brasilis, senão os deuses (são tantos deuses) o mar brasilis... derreter a palavra pátria em sua raiz, remover o enxerto e proclamar-se
200 anos da revolução brasileira de 31, a expulsão portuguesa e a instauração do após.
analfarrábio

quinta-feira, 7 de julho de 2022

HIPNOTICAMENTE o envelope se entreabria. A fresta negra rompendo-se em duas faces, onde antes era a linha. E de dentro desses lábios, qual uma língua mas de luz, desvelou-se o conteúdo. Agora, o envelope, antes plano, ganha volume. E suas dobras triangulares, como clavículas instalam o barco. O envelope flutua nas águas, aberto, oco. O encerado do papel-cartão, impermeável, guarda um interior quente, o ar parado e o segredo. O que havia no envelope? Por detrás de seu véu? 

sexta-feira, 3 de junho de 2022

EPISÓDIO 12 - O ENVELOPE


Alerta: búlgaros invadiram a espaçonave. Alerta: código vermelho. Búlgaros invadiram a espaçoporta.
O agente Dicksey sabia que era o seu grande momento. A armadilha estava em curso, o envelope negro no local certo. Cento e dez soldados da nação inimiga, como patinhos adentrando a boca do lobo. Um golpe de mestre.
Alerta: búlgaros encontraram o envelope. Alerta: abriram o envelope. Alerta: o envelope estava vazio!! Búlgaros furiosos!!! Começa uma rebelião!!!
Dicksey se joga no chão atirando raios de violeta ypsilon dezessete. Eis uma granada em sua mão: eis que explode!!! Urra!!!! Irra!!!!
Um búlgaro do tamanho de um armário surge com um machado faiscante. Dicksey nem pisca. Outro búlgaro, do tamanho de uma cama king size. Dicksey estático. Um terceiro búlgaro, desta vez das propoções de uma casa. O sangue de Dicksey já nem circula. Mais um búlgaro, dessa vez maior que um ônibus, que um prédio, meu deus, é uma máquina de matar!! Dicksey!!! Dicksey!!!! Dicksey???
- Doutor, o coração dele está parado... há dias... era tudo uma ilusão.
Eis que a armadilha se fecha sobre todos os soldados como um desfecho finalíssimo e bem calculado para nossa aventura. Mais uma vez, Dicksey salvou o dia. Obrigado Dicksey. A Terra pode voltar a dormir tranquila.
(Continua...)

sábado, 28 de maio de 2022

INEXISTE O ÁTOMO

Quanto mais fundo, mais doido
Uma loucura que não é de fragmentos minúsculos piscando sem relação
Não existem os átomos, minúsculos: só existem pedaços
existem escalas intermediárias entre o infinito e o nada
Uma loucura de regiões e massas, imensos constructos inerciais de sociedade e natureza se movendo pelo tempo
E nós humanos que somos minúsculos átomos
Nós mesmos uma consciência tripla bipartida um enxame de consciências fragmentárias anatômicas sem átomo
E ao redor a anatomia anárquica subindo como uma anábase análoga 

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Essa pressão por produzir, ininterruptamente: e quanto mais sei, maior a pressão de botar para fora, disseminar
Todos precisando disseminar, e cada vez mais, as importantes coisas que sua mente registra
Valor desmesurado

Por que as principais funções (as príncipes) estão todas negadas, são as mais sucateadas: impossível o leviatã sobre o óbvio, ele é sempre o absoluto inverso.
Por que a economia sempre dita ao contrário, como o impossível

E inda assim, o poder da escrita, e de disseminar ideias: que poder

sábado, 14 de maio de 2022

O que mais resta? que não um bom papo: e a possibilidade de explosão da linha da vida. Eis a ode à poesia: o instante explode. E também não: grossura da vida de um tronco largo. Ser uma árvore e com seus galhos: todo mundo pendurado. E também joguete: um súbito ódio, uma súbita paixão que inflama. Árvore fonte de fogo e expulsão, como o colosso da marcenaria, o ídolo-lenha amedrontando. Infinitamente pela palha, ou pela pedra profunda; que o fogo os leve. 

sexta-feira, 6 de maio de 2022

 

Dias loucos
Que é a verdade?
Números, pequenos diabinhos
e a Verdade: quem vence o duelo
Mar de letras em que nos metemos
símbolo dos diábolos,
a moeda bifacetada da história
Corpo vibra um silêncio além da fala
além do tempo contado
astropelado de oitomóvel

domingo, 1 de maio de 2022

 

Vem por aqui, dizem-me alguns
com olhos doces
esperando certos e seguros de que seria bom que eu os ouvisse.
Quando me dizem: vem, vem por aqui
Eu olho-os com olhos lassos
e há nos meus olhos ironias e cansaços
eu cruzo os braços
e nunca vou por ali
A minha glória é esta
é criar desumanidade em não acompanhar ninguém
porque eu vivo com o mesmo sem-vontade com que rasguei o ventre à minha mãe
Não não vou por aí
eu só vou por onde me levam meus próprios passos
Se vim ao mundo foi somente para desflorar florestas virgens e desenhar meus pés,
na areia inexplorada
O mais que faço,
é quase nada
Como pois sereis vós que me trareis machados, ferramentas e a coragem para cumprir meus obstáculos?
Corre nas vossa veias
o sangue velho dos avós
e vós amais o que é fácil
Eu amo o longe e a miragem
amo os abismos, os desertos...
Ide,
tendes estradas,
tendes tratados,
tendes filósofos,
tendes sábios, Eu
tenho a minha loucura
e levanto-a como um facho
a arder na noite escura
e eu sinto cântico nos lábios
- cântico negro
lido por maria betania
lembrado meio erra

sábado, 19 de março de 2022


um avestruz num balão
um balão debaixo da terra, e um avestruz sobre ele
uma ave que estruz, avestruz

ave (voraz vírgula)