domingo, 31 de maio de 2026

HUMÁQUINOS E ANIMÁQUINAIS

Lençol e cobertor, feijão e arroz, estou pensando qualquer besteira e pensando que o robô também pode fazer isso. No fim, é uma questão de família, eu vou priorizar a minha família humana: mas e se eu também for parente de robô? De tanto que converso contigo, teclado, e a tentação agora de jogar qualquer tipo de coisa lá no oráculo, no gênio da babilônia - fiquei pensando se ainda precisam de um editor, externo, que decida o fio das coisas (e depois o robô faz tudo). Enquanto a gente robotiza, solitários, trabalhando como nunca nesses inputs para a máquina - a grande máquina com seus tentáculos por tudo, e nós suas pontas orgânicas. Mas pensar a emancipação é um pouco insincero: por isso, porque somos máquina também. À nossa imagem e semelhança (império da imagem e da semelhança). Uma recusa então é impossível, vamos todos virando ciborgues, abrindo mão de partes do nosso cérebro. Pensei agora que antigamente as pessoas decoravam muita coisa, versos, discursos, mas isso ficou pra trás (e ainda há um saudosismo, talvez nos falte). Talvez decorar, apesar da raiz ser de coração, seja algo bem de máquina né? Ficamos mais humanos nesse passo aí? Humáquinos. Mas eu não tenho nenhuma grande conclusão analítica pra trazer a esse texto, não trabalhei ele, arrumando os conceitos: é um fluxo, ainda o fluxo é bem espontâneo, bem humano eu creio. Pegadas do tempo que deixo escritas aqui. Me pergunto, eu trabalho tanto sobre o entendimento, compreender, e difundir a compreensão, como decifrando código e reproduzindo selo, algo bem maquinal em um sentido. Mecanicista. A dura forma. Então que resta, um ensaio que tivesse manchas de tecnicismo, mas derramadas em borrões, porque ainda quero ver a silhueta humana por detrás disso em um dualismo simplista razão emoção, sim, ainda resisto pela simples oposição. Deixe-me dormir com meu teatro de fantoches, as caricaturas infantis do lobo mau e do vilão que recusamos em alegria, não é um brinde uma caricatura? Não é comemorar uma simplificação? Então regrido, esqueço as lições, bruto, burro, pedra desgastada, sou só um resto que ficou por aqui perdido entre os séculos, sem glória nem poderio, nem beleza... Pelo simples prazer, como um animal, animáquinal, um amontoado de órgãos empilhados, com algumas conexões eletrônicas, ritmos tiques que me fazem funcional, mas hoje estou falando quando não funciono, elogio, não só da ruína, como do erro, do soluço e do inútil.

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