sábado, 26 de dezembro de 2020

DE VOLTA A ALBATROZ

Que delícia experimento lendo o escrito de outrem.

Nesse repente me vejo íntimo, infiltrado na nudez do outro, entre a roupa e sua pele, só, descobrindo a solidão desse amigo. Me faz menos sozinho: espiar assim o ato sincero, de ver alguém se batendo individualmente, indivisivelmente, visivelmente digladiando o invisível e seus fantasmas.
O embate da letra é tão duro: é tão deserto. A folha branca é uma sala vazia, um silêncio - como rompê-lo? E já rompido, que estranhos castelos se erguem: a palavra usada é a palavra ouvida, construímos com o que temos. Minha voz é uma massa de ecos de tantos eus que nem conheço; a língua são peças brutas com formas várias, que enfileiramos e arrematamos as arestas. De repente, a catedral erguida desponta estranha, alheia, verbosa repetitida chata. Nela não quero morar.
Derruba-se o trilho, desfaz-se a página, e entre tantas vigas empilhadas, reaproveitadas, revela-se uma pequena fresta em que me encontro. Construto de aço, duro: em cada texto é imensa a repetição, o óbvio, a insubmissão da língua à intenção do autor. E inda assim, nas dobradiças, no rangido das engrenagens dos verbos, no soluço, no tropeço da língua - essa locomotiva - vejo um lenço vermelho, abanando.
Irrompe, naquele detalhe, naquele erro, toda a nudez do meu autor: que delícia, que delícia experimento, lendo as memórias dos amigos, como decalques de seu corpo: como peles de uma cobra que cresceu demais e as desvestiu, como um cacho de cabelo guardado, uma foto uma carta lembrança, como um espelho em que meus olhos se perdem no abismo de olhar-se vendo-se ver a sua vista, como o ato de dar vida a um boneco e animá-lo de sentido e som: foi rompido o silêncio, a sala não está vazia e visto roupas de muitas cores na aurora plena, no céu povoado de pássaros que agora habitam minha solidão.
Magia negra da tinta sobre a página, isto foi escrito pelo meu amigo, pela lista de nomes que desfio preenchendo meus dias - nesse navio de loucos, nesse amanhã que virá. A locomotiva tosse, o corpo aparece, um toque, sinto sua pele quente e os pêlos; é como eletricidade estática me arrepiando. Três vivas ao texto trismegisto. e mãos à obra.
-
Albatroz Aranha

1a versão:

sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

PLACEBO

Nesse século que entra, nessa quarentena que se afirma, nessa nova era que se abre - e eu digo, e reafirmo, que o covid é o marco dos novos tempos, o empurrãozinho para tornar onipresentes, desde já, as questões que vamos passar o século, o milênio enfrentando - e esse XXI é o século da ansiedade; é o século da doença mental.

A crise de saúde pública é uma crise de saúde mental pública - isso já sabíamos, já foi apontado. Pois a medicina chega ao limite, em sua alopatia desenfreada, sua narcotização de saídas fáceis, sua drogadição legitimada. Tecnicalizada, sob funcionários burocratas, psiquiatras e toda a pirâmide da alopatia desenraizada "a cabeça quer ir viver sem o corpo" perdendo o caminho da cura, que é o todo. Pois a doença da mente é a doença do corpo (o que está no alto é como o que está embaixo).
Nessa quarentena para mim, foi um aprendizado doído, e ainda é: mas estou mais ciente, caíram as máscaras do novo século (espero). Já tive doenças digestivas, dentárias, o meu peito se apertou de dificuldade de respirar, e crises de frio, e travar a lombar e inchar articulações: e tudo se apresenta como um santo baixando numa geografia anatômica: um demônio baixando, a doença: e que pode virar um curto-circuito, ciclo vicioso se realimentando de ansiedades. Mas eu descobri, a raiz é na alma.
Minha alma minúscula, minha alma onipresente, o debate é sobre reencontrar a calma, a única que não está presente no novo milênio. De primeiro, amar o sol e brilhar a saúde é saber o mundo bom e abraçar a si, ser. Está bem.
E de segundo: não há, de antemão, a doença; ela é um embate uma construção, que pode ir para qualquer lado e pode ser encurralada ou se espalhar: o ato de conhecer é o ato de co-nascer sujeito objeto, é o ato de fazer o fato se precipitar de sua nebulosidade vaga do não-sabido. E esta transmutação, esse afloramento do invisível, tem mil rostos possíveis que pode tomar. Há mil fatos possíveis, só um será verdadeiro, depende do caminho a trilhar.
Jamais fomos modernos, jamais desencantamos o mundo; encantamo-lo com essas máquinas difíceis, com que não sabemos lidar, e essas máquinas de pessoas - o conhecimento burocratizado, a educação da letra morta, a repetição de conteúdos desalmados - que não vemos, andamos tão cegos. Andamos tão tanto impossível de gigante de auto-cegos, ignorando a proliferação de espíritos poderosos. Ainda no conto moderno da navalha ontológica que separa o científico do pagão. Objeto e sujeito se reencontram no ato de nascimento, o ato de movimento, o afloramento do invisível sem destino pré-determinado. Ah,
Albatroz Aranha, novamente crendo no construtivismo científico (latour) como a única epistemologia capaz de salvar a razão do seu dogmatismo autodestrutivo e reenraizar a cabeça, no corpo

quarta-feira, 5 de julho de 2017

 "... e (3) hostilidade invariável para com a burguesia e a Igreja.

Este último ponto, embora o menos preciso, era também o mais importante.
Os anarquistas constituíam o oposto da maioria dos chamados revolucionários, pois embora seus princípios se mostrassem bastante vagos, seu ódio ao privilégio e à injustiça apresentava-se com autenticidade.
Pelo aspecto filosófico, comunismo e anarquismo são pólos opostos. Na prática, isto é, na forma de sociedade visada, a diferença está na ênfase, mas é de todo irreconciliável. O comunista confere destaque sempre ao centralismo e à eficiência, o anarquista à liberdade e igualdade.
No curso dos primeiros dois meses da guerra de 1936 na Espanha, foram os anarquistas quem salvaram a situação, e muito depois disso a milícia anarquista, a despeito de sua indisciplina, constituía sabidamente os melhores soldados entre as forças espanholas. "
"De um modo geral, a federación anarquista ibérica era a favor de:
(1) controle direto sobre a indústria exercido pelos trabalhdores empenhados na mesma, como nos transportes, tecelagens, etc.;
(2) governo por comitês locais e resistência a todas as formas de autoritarismo centralizado;..."
George Orwell
Homenage to Catalonia, 1938
(pode ser baixado gratuitamente em we.riseup.net/subta/lutandonaespanha)

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

 dois + zero + um + sete

= um zero
= 1, ano um
Ontem espiava uns papéis antigos e vi em 2015 esse anúncio do fim do lar natural.
Dois anos atrás, escrevi para mim mesmo que iniciava a era nômade. Metamorfose. Abertura duma nova carta. Como ocorrera sete anos antes, iniciava um momento cinzento. A lua nova, sem luz; o ponto zero entre os ciclos.
Saída do lar natural, novos lares. Saída dos pais, que mudaram para longe.
Agora fechou aquele ciclo.
Fim da faculdade, de ser aluno, numa academia. E das suas extensões: terminou o emprego na economística. Fui assistente de pesquisa, e sorvia o grande conhecimento, na fonte, passivo. Só nos últimos meses comecei a balbuciar algo novo. Pedagogia. Educação econômica. Dizer o que aprendi, sem jargão, sem nada, simples. Educação, pedagogia; que é a redescoberta do conhecimento. Reaprendizagem.
Só não me chamo mais economista, só não me chamo mais nada. Livreiro. Livrista. Livro.
Ano estranho que se abre.
Uma nova carta: já principia com um tombo. Generosa lição da cachoeira: atente mais, que é cuidado. Semana depois a máquina me mordeu. Enorme engenho de rodas polias engrenagens, enganchou o meu dedo, pinçou ele, deu uma esmagada assustadora. Mas não quebrou. Obrigado pelo susto. Vou estar mais atento.
Tentei voltar a fumar mas já de cara percebi o caminho. Não rola. O lento aprendizado do ano passado, continua em vigor. Estou aberto demais.
2016, foi ano nove, ano de fim de ciclo. Nove novo. Fez um belo esboço de vida nova, pra se impôr contra o ciclo que terminava. Mas agora, o esboço continua, e se afirma. E o passado desmancha.
Agora ano um, não tenho visão do alto, não tenho nada. Como espuma no mar, meus antigos eus se desfizeram. Não sou um economista poderoso. Não sei o que sou. Me desenxergo. Desfaço: saí do mapa. Planejei, já há tanto, essa guinada. Fiz o triângulo favela-arte-academia, construí ele, fiz ele girar e fundir. E agora ele ficou para trás. Vivo num pequeno espaço que cuido como uma plantinha crescendo. Vou a pé pra lá e quase não ando de máquina. Cuido da casa, com telhado e planta pra regar. Escrevo e cuido da casa.
albatroz, andré & aranha



segunda-feira, 26 de setembro de 2016

4 por cabeça

Se para os músicos pode parecer um desafio, subir sozinho ao palco, tocar quatro músicas, e a voz não tremer; e logo ao sair ver outra pessoa passar pelo mesmo, e sentir o contraste entre um e outro; se para o músico que se expõe ali, nu, confuso se se opõe aos outros, ou se com eles forma um todo maior, uma grande sinfonia, de seis movimentos, e com quatro temas cada; ou se quando ele tocou, ele foi meramente uma introdução, a abertura para o show do próximo enquanto chegavam os convidados; ou se ele foi o desfecho, ou um respiro apagado entre as duas impressões mais fortes que seus pares passaram; ou se é ele realmente a pérola, o brinco, a jóia que nos faz ter valido a pena o ingresso e a noite investidas; se para o músico, enfim, pode parecer um desafio, menor não é o desafio para o público.
A questão é que nós, a plateia assentada, não estamos acostumados a ser arrebatados tão rápida e seguidamente por diferentes frentes sonoras. Demonstração de possibilidades; e se um mesmo cantor exibe sozinho quatro faces opostas ou se as quatro canções aprofundam num mesmo e único sentimento, quando estamos mais imersos e nus em sua pessoa, e prontos a escutá-la mais uma hora - já entendi quem ela é e se gosto ou não e como - eis que ela deixa o palco, e abruptamente lhe substitui uma outra voz, um outro instrumento, e de novo o processo recomeça. E mais quatro músicas, e de novo, e mais quatro, e de novo o choque inicial: uma nova possibilidade, outra pessoa, outros sentimentos se erguendo sobre os ecos que a anterior forrou no salão, e que mal cessam de se extinguir, são redescobertos.
O desafio da plateia então é não inundar, não sobrecarregar e ter que sair para tomar ar. Buscar o silêncio para ouvir as últimas notas reverberarem na alma, no gosto na memória... E por mais que do outro lado das portas o show continue, outro músico, outro arrebatamento, já não consigo entrar: que dá mesmo microfonia em mim.
O título "4 por cabeça" talvez tenha então um significado segundo. Há muito sei que a música não é só uma gravação sonora: ela se faz, música, em pessoas ao vivo tocando, pessoas de sangue vermelho e uma vida a vibrar orelhas pela melodia. Essa noite então, primeiro uma pessoa nos invade, e a segunda, e a terceira... Olha, nas duas edições, das 6 pessoas que tocaram, eu me dei por repleto até a borda e só aguentei receber foi 4. 4 por cabeça. É que 4 é o limite que minha alma permite, diapasão de quatro faces. 4 por cabeça; talvez cada pessoa que vá, cada cabeça, chegue ao final atendida pelos quatro lados, e enfim, centrada em si, abra-se a todo o som e vida que encontra nesse dia bem-vindo.
Obrigado santiago, por essa noite; com quatro almas na cabeça, soando. Norte Sul Leste Oeste. E vamos ao boa pinga.
-
Alfarrábio Aranho, André

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Estão comemorando a cassação de Cunha, mas aquilo que Cunha representa nunca esteve tão forte no poder. Vocês lembram? O Legislativo, essa cunhalândia, 90% eleita por mecanismos indiretos, 50% pertencentes a famílias de políticos, algumas semanas atrás empossou um chefe do executivo que lhes representa fielmente. Temer é um fantoche. Não que a presidenta anterior não os representasse, infelizmente; também ela era cunhada. Mas a cunhalândia só vem se fortalecendo. Cunha caiu, mas o sistema de cunhados, padrinhos e afilhados políticos; a oligarquia de cunhas só está vencendo, assessorada por sua fiel mídia reducionista. Deem uma olhada nos atuais ministérios. Nas reformas que estão passando... Olho vivo.
-
algoatroz andré aranha

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Mendo Rato

Essa semana passei numa casa – olha, a casa tinha rato. Ratos, era mais de um: que apariciam de-noite, pra nos visitar.
Pois do começo: mal távamos chegados, de mala e mochila e o gôstoso da novidade; nos espraiamos na sala e sofás, lareira, discos tocando; alguém foi na cozinha e viu, um rabinho s’escondendo, e gritou:

- ai! um rato!!!

Nem posso começar que foi-se a casa toda em polvorosa. Mininas tudas sem-jeito, de enfrentar a tradição, serem-se mais, digamos, imperiosas, e travarem batalha: que batalha? Então estou eu, de vassoura na mão, conduzindo os trabalhos...

Eram dois ratos; quase um videogaim de expulsar, prateleira por prateleira, com o cabo da vassora. Até s’excapulirem pela porta. A despensa um caso sério...

Lavamos todos potes e, limpamos tanto da sua caquinha de roedor: qu’eles fizeram buraco no saco de farinha e c’os dentinhos só um rasguinho pra dar de comer na porcalhada, digo, rataria mesmo. Bicho desgraçado. Eu no lave-lave, ispiando indícios da civilização inimiga. Onde serão os buraco de entrar? Quando-

- Ai! o rato taqui!!!

Não é que o folgado foi passiar na sala? bem por debaixo de pé de gente, o danado? sem-vergonha... Essa noite termina conosco à varanda, já meio-rindo quando - ai! - mas que diacho... o diabinho tentava cruzar a porta. Expulso. Dormir. E é proibido sonhar com rato.

Dia siguinte então, o Estado-Maior delibera o plano de ação. Simone, mestra-cozinheira, advoga ratoeiras: que cumprem logo o seu serviço. Os pais da moça compram um saco de saquinhos, de venenno barato, rosinha, qui demora quatro dias a matar. Parece uma ração. Eu cá dimirando, quem lhe mata a paulada. E a môça quer tapar os buracos, com jornal, os tantos furinhos pr'ele nem chegar...

Cai a noite. Pratinhos de veneno sirvidos aos nossos convidados. Eu insisto na ratoeira. Não gosto de não-ver o que acontece. Porque quando tamos no sofá, as meninas veem o pobrezinho roendo a pílula da sua morte. Será que mata mesmo? ratinho pequeno do campo, que não toca em esgoto, ô peludinho fofinho (mas qu'ele fura a casa e reproduz cagando e comendo tuda nossa bóia).

Quando depois ele carrega sua pedrinha apetitosa, com patinhas-dedinhos (roedor, roedor; um coelho, capivara! dentuço!) mas o furo na porta, sua saída, a gente tapou! ele revela nada menos que um furo no chão! Por onde vai mergulhar. Mas não consegue fazê-lo sem deixar para trás a comida... Vemos então essa cena, simpática: o rato mergulha no furo, a pedrinha rosa fica. E do furo aparece um narigãozinho cheirando, e olhinho espiando, a mãozinha tentando puxar... E nós rindo, algo enternecidos - e confusos! do assassínio a prazo, do bichinho trapalhão, peludo, sem medo...

Por isso tudo eu insisti na ratoeira. Não vem com essa de crueldade, crueldade é matar! Então matemos vendo, sem si enganar do que fazemos. é coisa séria! eu pensava, i daí, me cortei armando a ratoeira... me cortei na própria lâmina, que deveria matá-lo... se já não matou algum! Cortei o dedão naqueles dentes de aço e, muito emaconhado – depois de instalar como isca meia uva passa – que eu mesmo mordi metade e saboreei o gosto que ele viria a provar – antes de ser vítima da mola – igual meu dedão que sangrou! – percebi estar entrando num devir-rato e os campos de extermínio das raças...

Acabou que, afugentando um rato (nunca sabíamos quantos eram...) ele caiu na ratueira, ficou ali pulsando. A gente comentou que tava matado, igual envenenado, mas de maneira analógica. À velha moda. Sem mistério, e de manhã a empregada se livrou do corpo. Já deu de rato. Me demito.

Uma semana depois, fosse veneno ou se não (que morte ele dava? e se eu comesse, enganado?) eles pararam de vir.

Resta saber se não vêm, na nossa ausência...

*

O pai da moça havia sido contra a ratoeira. Vendo TV, dirigindo carro, fumando maconha e se empanturrando nas delícias, fim de semana tranquião... achava muito bem o tal veneno. Não viu nenhum rato, nem quis ver eles comendo, entrando no furo, “sendo espantados” da cozinha com a vassoura... Não, não quis ver nada, e comprou sacos de veneno; mas ratoeira? barbaridade!

Então na quermesse que houve, a môça teve ideia, diabrura: e comprou um ratinho dêsses de dar corta. Pra assustar os velhos, e tava o pai vendo olimpíada, a mãe sonolenta ao lado... Soltamos o rato – ha! Johanna deu um grito bem convincente:

- ai! um rato!!!

e caímos na gargalhada.
hahahahhaha

(dedicado ao pepê, pelo final)

-
Albarrato André Aracnídeo

sábado, 30 de julho de 2016

dia desses foi dia dos avós
eu gosto desse dia pq ele confunde os gênero tudo:

a avó
as avós
o avô
os avôs

mas daí que nessa língua portuguesa <bigenerificada e falocentrada> na qual toda generalização vai pro masculino (pois o macho nunca pode ser tratado no feminino, a heterossexualidade é frágil), se confunde, se esculhamba nessa troca de artigos...

os avós.

seria como

os mães.
as pais.

prefiro assim, a confusão de artigos, de gêneros, ao x impessoal e irreal.

sozinha, curto essa pira de brincar com artigos, sou confuso, sou imprecisa, tropical.

as albatrozes onaldina e luis machado

terça-feira, 26 de julho de 2016

Adoro a história de Benjamin Franklin.

- Então, seus aristocratas idiotas, seu povo ignorante! Eu sou poderoso! Sou um rei dos elementos!!!

DIsse, e saiu correndo pelas colinas, no meio da tempestade, com uma pipa a tremular atrás de si.

- Ele está louco!! Não se solta pipa em tempestade de raio!

E sem demora, de fato, todos vêem o relâmpago atravessar a pipa do homem, ligando o céu à terra.

Mas o raio é desviado por um fio de prata, pendurado na linha da pipa, roçando o chão.

Volta Benjamin Franklin, "eletrizado", senhor dos raios.
Um grande, e poderoso mago.

Tenho meio medo dele, na real.

-
ANdré Masson Aranha
Dedicado ao Gus Levy

SIMBAD - Gosto da ideia da CUCA SEM CABEÇA

DIÁCONO - Você quer dizer MULA SEM CABEÇA?

SIM - Não, isso eu acho meio estranho, tipo uma égua, um cavalo soltando fogo do nariz? Um cavalo muito bravo, selvagem, meio de espécie híbrida com mula jumento burro... Cavalos né, antigamente falavam de centauros e povos cavaleiros, o poder dos animais...

DIA - Tipo os egípcios cultuavam gatos e panteras, conviviam bem em meio a realezas felinas; os maias iam viver como jaguares-tigres, vestidos da pele de um e afiando seus dentes, urrando como humanizações da pantera...

SIM - Não cara. Me confundi. Deixa a "sem cabeça" pra lá: é

"Dorme criança,
que a CUCA vem pegar

Papai foi à roça,
Mamãe foi trabalhar"

DIA - A CUCA

SIM - Não sei se vocês lembram um personagem do Sítio do Picapau-Amarelo, uma jacarézona.

DIA - Adoro o nome daquele Dinossauro: TIRANOSAUROS-REX

SIM - Rex, de Rei dos Dinossauros.

DIA - Uns ARQUEÓLOGOS: Malucos que medem pedras, contando dos esqueletos antedeluvianos - porque houve um dilúvio né, muitas culturas confirmarm isso)

SIM - Sinceramente acho que se a galera tá acreditando em répteis tretas.... Tipo que jacarézões estão entrando pela janela e abduzindo seus filhos.

DIA - O monstro de dentro do armário.

SIM - É como Marx previu, Moisés previu, Einstein previu, judeuses e a antiga maçonaria (mitos antigos, de um tempo de santos e miragens reais

DIA - Ah, esses nomes... lá no tempo em que nós construímos essas igrejas...

SIM - Nós não. Foram os nossos AVÓS e as avós dos nossos avós, que construíram isso, hahaha. Eu não tenho nada a ver com isso né, sou só filho de filhos de filhos...

DIA - A CUCA é meio uma avó jacaré, o Tiranossauro Rex é um osso na verdade... Um osso!! Tem gente pirando num osso imenso como a resposta do passado do mundo...

SIM - Antes do Dilúvio... aquele sonho de Atlântida: um poder instaurado no mundo que fazia o bem...

DIA - Agora só conseguimos imaginar isso, se forem alienígenas. Sim, porque "somos os mais avançados do mundo, do sistema solar".

SIM - As pessoas duvidam muito que se vá encontrar outro lugar nas galáxias (galácticas, via láctea de estrelas: Os sóis distantes que nos orientam durante a noite. Leite que não se sabe se é paterno ou materno, leite da noite celeste)

DIA - Tudo isso uma grande pira sobre como representar o passado né?

SIM - Sim, estamos falando da HISTÓRIA DO MUNDO. O que aconteceu antes. De onde viemos etc etc.

DIA - Havia um grande hieróglifo no mundo antigo, que foi perdido, mas que orientou os povos por milênios. E nele estava desenhado de fato o que ocorreria no futuro. Fora escrito numa linguagem arcaica, de simbolismos diabólicos sobre o metabolismo de tudo.

SIM - Aquele que parece umas letras né?

DIA - No início havia a "Grande Vibração Contínua", MMMMMMMMMMM. Ou melhor:
havia antes uma continuidade de matéria

SIM - Então houve a interruPPção do contínuo
sssssimmmmmm...
mmmm...
mmmmmmP
!!!-!!
!

MMM
M´´´´M
M><M
M__M
MMM

DIA - A "ligação" e a "interrupção" representadas, simbolicamente. A contagem dos dias e das noites.

SIM - As pessoas acham que sempre existiu "Linguagem". Linguagem tá sempre sendo inventada, é interpretar, se fazer entender, falar, fazer som, balançar a língua, traduzir.

DIA - Mas não é nada disso que eu queria falar. Eu gosto dessa ideia dos répteis, dos lagartos, porque ela é um guarda-chuva de mitos populares, realmente populares: contam de um tempo de ciências antigas e com vários parentescos com descobertas famosas...

SIM - Atlântida...

DIA - Hoje querem me falar de HISTÓRIA GLOBAL e vêm com um papo de duas "grandes guerras", uma para de menos de cem anos atrás. São muito apressadinhos.

SIM - Mas se tentamos entender através da HISTÓRIA MILENAR ...

DIA - Engraçado como a Cronologia Científica é a Cristã, onde o tempo se organiza em "antes", o ponto zero (cruz, o X da encruzilhada), e

SIM - Tem uns papos bem oficiais (os que a inquisição não caçou "aleatoriamente") que jesus foi inventado no século seis, ou no oito...

DIA - Porque porra, quase não havia transmissão da história pela escrita. Era HISTÓRIA ORAL para a maioria das pessoas, quer dizer: se você não fosse um padre maluco, ou algum tipo de "mago, alquimista, rabino, co-merciante, ligado a mensagens e ouro ".

SIM - História antiga que está parcamente transcrita. Além claro da inquisição.

DIA - Acho que precisamos entender mais a história das religiões. O que causa realmente estar unidos por ideais espirituais. Que hoje se dizem laicos, o que significa

<<< gostei muito de gritar, outro dia
FORA DEUS!!!!!
>>>>>

SIM - Mesmo na cronologia oficial, a Inquisição é super recente. No milênio antes do Renascimento, que segundo eles é quando o cristianismo "pegou", havia várias "igrejas", isto é, templos, construções duráveis com acesso a formas de pintura duráveis, minimamente construtoras de lembranças.

DIA - História das formas

SIM - Falam somente de uma história da matéria, fingindo que a forma não foi criada.

DIA - Não, fingem que a forma já existe, ela não se altera no tempo. Só se altera a matéria... os nomes, são fixos

SIM - Precisávamos falar mais de um tempo antes dos nomes...

DIA - Quando éramos a multidão?

SIM - O MMMM das mãos,,, quando não pensávamos tanto.... quando nos entendíamos... E agíamos em uníssono.

DIA - Algo a ver com bandeiras?

SIM - E a invenção do futebol? Com seus grandes estádios para o uníssono? Eram efeitos sonoros, era um grande instrumento de vibração do som. Uma rinha, com uma prova no meio, cercada de apostas e bicheiros...

DIA - Calma... falávamos de BANDEIRAS?

SIM - Bandeiras é muito recente, você tá pensando em termos dos últimos dois, quatro séculos. Tem algo gregário muito forte acontecendo, que já tá acontecendo há mais tempo, há alguns milênios pelo menos.

DIA - Os antigos falavam muito do Inverno que viria, e da Primavera que deveria ser conquistada. Uma história de quem constrói casa, planta e cresce algo na terra, exatamente sob o mesmo astro.

SIM - Não entendo a tara dos cientistas - físicos, químicos, "engenheiros", matemáticos - de denegrir astrologia. Newton se amarrava num 4 elementos, teoria das 7 cores, primórdios da alquimia. E ele não era um "doidão". Ele era o diretor da ROYAL MINT, a casa da moeda, e decidia a proporção exata que valeria a conversão entre o Ouro e a Prata.

DIA - O BIMETALISMO? Achei que ouro era tudo igual.

SIM - Não não, existem vários dinheiros: a moeda de metal vagabundo, a moeda bôa, a nota pequena, a nota velha, nota grande nova, e umas paradas de plástico ultra-complicadas que não significam mais tecnicamente...

DIA - Que não vale nada

SIM - Plástico

DIA - Magnético

SIM - Número

DIA - Adorava os dragões na borda dos mapas, tempo em que se levava deuses a sério

SIM - Tudo está cheio de deuses

DIA - FORA DEUS!

SIM - O grande rei dos lagartos, o pai do petróleo que está nas profundezas e que queima pior que toda árvore. A grande resina das cobras de antigamente

DIA - Antes da passagem da semente pela maçã aos mamíferos....

SIM - No Éden? Dos anjos e espadas de fogo? O tempo da nudez

SIM - É tudo uma história da invenção das roupas. O inverno, e tal.

DIA - A chegada dos Tretas.

SIM - As pessoas têm uma pira com serpentes, serpentes que se engolem e são frias, se arrastam no sol no solo na água como moréias...

DIA - E seu veneno (nós tomamos SANGUE DE CAVALO NA VEIA se uma cobra nos pica).

SIM - Oswald de Andrade (O de A, O A do A ESCRITO NAS RUAS).
Quando foi proclamada aos brados a antropofagia (macunaíma teve 500 cópias, era mais um mito-livro do que...

DIA - Os navegadores de milênios atrás já contavam de umas terras perdidas.

SIM - O mundo antes da carta geográfica. Antes dos mapas, das fronteiras. O mundo não datado. Não catalogado.

DIA - Sem arquiteturas, sem ruas: o mundo como descoberta do corpo e do arredor, a simples existência permanente.

SIM - Vivemos numa terra antes chamada de Mare Brasilis
quando dizem do "Descobrimento" estão falando de uma luxúria de um novo patriarcado se rejubilando na penetração do Éden. O Éden que os navegadores contavam... os navegadores dos portos e seus mercadores...

BOLO

-
Al-Barão André Masson

segunda-feira, 11 de julho de 2016

LIVRARIA FGV

Fiquei pensando em voltar e comprar o livro da antropologia de militares
já aquele de humor direita -
olavo de carvalho -
melhor não.

Quando eu falei de "direito do trabalho" ela riu, "Pegue algum desses manualzões aí na estante".

Você entra no prédio e à sua esquerda está uma réplica reduzida do "1° submarino nuclear brasileiro" que eles financiaram.
Isso é no prédio antigo.
Tem um prédio gêmeo novinho, que inauguraram do lado, com obras de arte pela grande calçada que separa os dois - foi projetado para os pedestres subirem as escadinhas que dão nessa calçada, e atravessarem a rua, e circularem entre os dois prédios - igual outro prédio vizinho, o Edifício Argentina. Uma área pública.
Mas quando inauguraram essa calçada, não gostaram da circulação. E cercaram as escadas, com cerquinha de fila de show. Hoje você vem pela Praia de Botafogo e vê essas escadinhas terminando em uma parede de vidro, e aquela calçadona vazia, cercada. Foi a solução permanente, a tamanho arroubo do arquiteto.

FGV-RJ, na Praia de Botafogo
Templo dos meritocráticos, do branco contra cotas, contra raças
Tecnocratas que se veem além da direita, ou da esquerda:
fundação getúlia vargas. um instituto que fabrica números de inflação.

As três grandes livrarias de advogado que tinham aqui no rio, fecharam. Terá alguma ainda aberta? "Igual em nova york" diz um estudante de calças e sapato fechado, porque de bermuda não entra no prédio "é por causa do acesso a artigo diretamente, via internet"

E eu com saudade das livrarias-bibliotecas, onde consultamos livros e vemos os que estão apinhados perto deles. toda biblioteca é pública, se os livros podem ser abertos, o conhecimento está ali, brotando, livre. na internet só tem livre os artigos...

Na biblioteca da FGV não se pode entrar sem ser estudante de alguma universidade. Eu não sou.
Onde acho então uma biblioteca ou livraria, de direito/finanças públicas? de advogado?

-
Albatroz André Aranha

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Abre-te Sésamo
é a senha
pra postar no Albatroz​

AL
parece que vem ALFABETO
mas não
nada de alfa
(F feio)
nadadicas ducas:
ALBBBBATROZ
de assim:

a


DáRIO

ATROZ
ahahahahhahahahah

de A a Z
igual arroz, AAAuxxkjfsffdjROZ

tentativa de traçar o OM com Z
em letras com duas pontas
o esticamento de linhas no mundo:
entre a Terra e o Céua
C
sobre
T
corre (como rios de chuva)
a razão-rua e o reto, medido

mas nada disso
não é alfabeto
antes desee F de fim
tem o B de bebê
(olhe as marés por outro lado)

é albatroz
abecedáriommmm
mmmmmmm
mmmatro
Z

mãos-mães da matéria

Abre-te Sésamo significa:
procure um burrinho, escondido atrás da porta, que te abre mesmo que você tenha perdido as chaves
procure algum burrinho ou burrinha que conheces atrás dessa porta e diga:
Abre-te Sésamo

(brincadeira ninguém é burrinho de ninguém ou
liberdade à burrinhação entre nós
eita povo com imaginário mais difícer

-
aLTRAVIsseiro
andré saranho

domingo, 19 de junho de 2016

O A nas ruas

Anarquia: que palavra!

O “A” na frente, como em “Analfabeto” ou “Anônimo”, promete uma abolição do que lhe segue.

Mas se tanto a "não-alfabetização" do Analfabeto, como a dissipação da autoria, no Anonimato, nos parecem autoevidentes, e compreendemos a ausência que o “A” aí promete; é com dificuldade que identificamos com precisão o estado Anárquico da existência.

Logo saímos da rua, onde víamos o “A” pixado pelos muros, e as milícias de preto em combate com policiais; para abrirmos arquivos poeirentos, e perguntar a etimólogos e arqueólogos de quê língua mais arcaica nos vem essa palavra tão empolada e esquisita.

E não seria com grande ironia, que encontraríamos a resposta: é a raiz mesma de ARCAIco que é negada na anARQUIa. E o ARQUIvo, o ARQUEólogo! É anarquia a insurgência contra os arcanos do passado.

Confusa resposta, que a palavra nos devolve. Ela prossegue: e não seria o encontro do Alfabetizador com o anAlfabeto, como o encontro do Arquiteto, com a anArquia?

O arquitecto planeja e rege; ele principia o cortejo do trabalho. Arqui-técnico principal, príncipe de pedreiros e carpinteiros: sobre todos os técnicos ele impera. O arquiteto, como o arquiduque, o arcebispo ou o arcanjo, é o Primeiro, o que vai à frente, a vanguarda que funda o arcabouço arcaico que nos rege.

Frente a ele, a anarquia aparece como o estado anônimo, sem identificação de hierarquia; como o estado analfabeto, sem submissão ao arcano conhecimento dum autor externo; a anarquia não tem monarca a reger, não obedece a arquétipos do que deva ser.

A palavra anarquia nega mesmo toda vanguarda, que lhe ditaria regras, princípios qual príncipes a lhe reger seu curso de ação; mesmo a própria palavra “anarquia”, arcaica que é, não lhe pode preceder: vitória do analfabeto.

Que fique então claro, essa palavra trata do que está entre uma vanguarda e outra, como o anonimato preenche o espaço onde a autoria não se dá. A anarquia questionará então toda vanguarda, todo planejamento externo, anterior; toda alfabetização como submissão ao conhecimento, e não como recriação do alfabeto; toda autoria centralizada.

-
Albatroz André ArAnhA

quinta-feira, 9 de junho de 2016

depois da alfabetização, alguns escritos de freire falavam de um segundo estágio do círculo de cultura
onde se debateria o conteúdo midiático que nos chega, e se desenvolveria uma capacidade crítica de recortar sua superficialidade, desmontar sua embalagem e acessar seus fios condutores
contra uma educação pela repetição de slogans. por um método crítico

ando assustado de certos núcleos "de oposição"que ora vêm surgindo esquecerem tanto essa lição
e se deixarem ecoando vaias alheias acreditando na potência de ressoar o vácuo
é o imenso nada que eu ouço atrás de sua fala vazia

querem negar a negatividade do outro, num espelho de nãos
em vez de afirmar um projeto. em vez de se olhar, se conhecer finalmente.
não, que esforço indigno: olhar os colegas nos olhos, admitir que estamos fracos como nunca, que nos pegaram desprevenidos e que não temos já pronto o mundo alternativo. e daí meter mãos à obra.
não, jamais admitir que não sabemos, vamos entrar no embate frontal dos slogans porque não há tempo para o estudo crítico, para a pedagogia, para o círculo de cultura...

pf... isso é "jornalismo" andré, o mais baixo grau da filosofia, da literatura, da beleza, de tudo sua criança...

e aí eu tenho que desenvolver um vocabulário pomposo para isso que faremos?
veículos de comunicação de massa?

me sinto tao tragado no espelho
diabolo pro detras do simbolo
rasgo no véu da realidade
por onde se esvaem minhas energias

naõ quero acusar ninguem. ate os que me cercam, nao sao essa caricatura. mas esse fantasma espreita, esta tao viva, essa cegueira. e como me suga

eu me sinto "sugado"

-
alatrroz andre

https://www.facebook.com/permalink.php?story_fbid=1671118872945894&id=1323425004381951

terça-feira, 24 de maio de 2016

Tributo a 248

Tijuca, no desaguar do metrô depois do morro. Tijuca atravessada por todos os nervos do rio. Mas que rio? São sempre muitos rios na bacia  de guanabara. Quanto mais no imenso rio que é o mundo.
Na rua Pereira Nunes, 248, este número
Pode uma casa ser mais número do que casa?
número é casa de botão, mas e se você conta errado?

E se as palavras são rainhas?
Mapa astral da palavra
2, 4, 8, são os pares. Os pares dobrando, já salta sem seis, direto oito.
A senha do cadeado é esta rápida tríade (passado, presente, futuro, 248) cercada por quatro ímpares.
Resta que o 6 segue implícito, como se a casa fosse fechadura para uma chave, o 6

O 6 de dois triângulos atravessados
o ascendente: perna-perna-boca
o descendente: ombro-ombro-?

Este ? sempre foi um atravessamento na 248.
248: Ateliê
Casa das Manualidades
Casa
Comida boa
Festa
amigas, amigos

Perguntava se 248 era uma matriarquia.
Dizia anarquia
analógica
mas como dizer isso mexendo tantos dedos?
(o triângulo descendente ombros opostos ao ?
mas que iguala os ombros
e ? é como um lado do ombro
? é um hieroglifo
uma face da moeda
ascendente, descendente. a mão do rio, sua direção ou erro (direita, esquerda)
Na 248 brilhava o hieroglifo mãos (?)
Monarquia direta; manuarquia da canhota

<<<<<
<<<<<<<<< permitam-me falar sobre ?

vejam a letra T
(alguém poderia dizer: no princípio,havia a letra T
mas isto seria dizer: blablablablá, T)

T

soa
TER

dizem:
__S__
_TER_
__R__

já é a cruz de duas linhas
ssssssssssssssssss TER
ssssssss de silêncio
Ser x Ter

Mas seria T essa encruzilhada?
Olhem o T
T não é cruz. não é +. é T

olhem só a letra!

T
duas linhas saem de cima
e uma linha longa chega em baixo
essa linha longa, como um L
é o UM
Eu
que encontra em sua ascendência
o dois-duas, a bifurcação

T
Pelo umbigo do um: do L. pelo seu umbigo se encontram 2 anteriores ao ? entre as pernas, que é só 1/2

T: o umbigo no ventre do corpo (L) de seis faces (o centro dos dois triângulos atravessados, perna-perna-olhos
mão-mão-?)

pa TER ma TER

vejam o M vibrando
MMMMMMMMMMMMMMMMMM
o som que faz, na ponta dos lábios
mamãe(mão) ma(madeira)
mamar mar mamar mar amar amarrar

P
PA
havia o mmmmmmmm
de repente: mmmmmmmm \ P / !!!!!!!
de repente m vira a gestação de M ou P
gravidez
máterna

248 Maternalismo
matéria
Matriarquia >>>>>>>>
>>>>>>

Acima de tudo (o que está no alto) a 248 é uma casa
Ela é assim vista do céu

Veja bem: são números
mas é A 248
há um A na frente

A 248 é precedida, quando se fala dela, do som: A
querendo dizer que é uma entidade feminina? A Casa?

Neste momento, estou na 249
ops digitei errado. Estrou na 2489
digitando meio mal
é porqueo teclado da beta (esse alfabeto!!) está duro

daqui a certo número de meses ( de luas, de números ) não vamos mais vir aqui: nesse território
porque a 248 é uma cerca num terreno marcado, território
ela é terra mas é antes terreno (número)

podia falar do aluguel então, que é dividido igualmente
quando eu entrei tava bem bom em 200

Fazia comida boa na cozinha...
Tinha festinha
Música boa
Gente maravilhosa
Aqui fui feliz tantas vezes
tantas x
encruzilhadas-encontros de data
(estou feliz aqui, agora:
pois mi despido (mi dispo? me disponho)
a lhe dar esse grande beijo

albatroz
aranhas de 8 patas
porque eu cheguei mais pro final
(beta é 2 está no inicio com Carol C que é 3 (ABC) e que é o início da senha oculta nesse texto
248 não começa em "1", mas sempre 2, 3, digo 4, 8, e vc já pulou o 5, o 6
(é uma casa muito dialética, de yings e yangs (esses gênios, djinns, números espiralando no espaço)

me dá alívio margô e guri já terem tomado um rumo
a gato o gata dois duas felínicas presenças
cinzas com branco
matavam baratas, davam carinho
tinha só que trocar areia e dar comida
dois bebês da casa bebendo atenção

nos últimos meses, a descarga da privada da casa começou a vazar. não consigo deixar de pensar num velho, ou velha, que deixa de controlar a bexiga. o corpo falha, prenunciando o fim.

pessoal vamos organizar uma (ou duas) festas de funeral!
(até pra ajudar nesse número aluguel que está duro fechar esse fim de meses)

-
ãré

domingo, 17 de abril de 2016

Manoel de Barros tem um poema gostoso que começa com "Entrar na Academia já entrei (...)". Uma vez, lendo-o a uma amiga, entendeu ela que se tratava de uma academia de ginástica -- o que não deixa de ser hilário, imaginar o Manoel de Barros correndo na esteira da BodyTech. Desde então fiquei pensando em como é engraçado isso de que uma só palavra possa ter dois sentidos tão díspares, ainda que tão próximos. Digo: a Academia referida por Manô, com "A" maiúsculo, é a universidade, casa do saber instituído. A outra acepção é de um centro de atividades físicas. Mente e corpo numa disputa excludente pela mesma palavra. Feito Nossa Senhora Aparecida, cuja cabeça volta e meia desgruda do corpo e cai.

Alba Sant Perligeiro

Entrar na Academia já entrei mas ninguém me explica por que essa torneira aberta neste silêncio de noite parece poesia jorrando… Sou bugre mesmo me explica mesmo me ensina modos de gente me ensina a acompanhar um enterro de cabeça baixa me explica por que um olhar de piedade cravado na condição humana não brilha mais que anúncio luminoso? Qual, sou bugre mesmo só sei pensar na hora ruim na hora do azar que espanta até a ave da saudade Sou bugre mesmo me explica mesmo se eu não sei parar o sangue, que que adianta não ser imbecil ou borboleta? Me explica por que penso naqueles moleques como nos peixes que deixava escapar do anzol com queixo arrebentado? Qual, antes melhor fechar esta torneira, bugre velho… M. de Barros André Aranha - enxameadas de sofistas, ambas; e o platão, que fundou essa palavra, Acadimia; ele já dizia (num diálogo lindo sobre a retórica, o Górgias): verdadeiro filósofo seria o mestre da ginástica, que não nos traz prazeres, comidas condimentadas, falsas sensações de alívio que se desmancham no dia seguinte; ele nos dá a verdade do corpo, sua postura, e os penosos alongamentos e exercícios de que fugimos, mas que nos trazem o bem vindouro. Também a academia das bibliotecas afunda hoje em ecos, reflexos e fantasmas de uma filosofia tão distante dos cuidados do corpo;;
a acadimia devia ser uma só, estudarmos a palavra bem-sentados, harmonia de tons vocais silabando o conhecimento dos gestos belos sim, às favas com essas academias de sombras; vamos canibalizar suas ruínas na aurora das novas ágoras; a academia sou eu ...disse a excelentíssima amiga Madalena, e eu aqui anotei. andré

terça-feira, 12 de abril de 2016

«««««« ‘descubra semanalmente’. a importância de frequências que são de outro lugar, sonoras, conectivas, outra dimensão. verbos na gravidade, falas de outra ordem, corpo solto. aquele clichê insubstituível: if i can’t dance, it’s not my revolution. penso que em tempos difíceis, dançar, sair, tocar, produzir, dançar, pintar, cantar, fazer ritual, são mais do que ações, são necessidades. atos e mais atos. tem(os) que sair por algum lugar. queria falar de corpo, só dança e tecno-terreiros-eletrônicos, amigos que produzem festas e querem tatuar que amam elas no braço. amo eles, culpa disso tenho dançado, e também pq há um tempo andava sem graça, a tal da noite. (pra quem quer) ela é um lugar de afetividades e corpos vibráteis em meio a fortalezas duras e irreversíveis. hahaha. poucos dançam. mesmo, logo se vê! viagem, ia dizer que não queria falar de política, mudar de assunto. mas aquela coisa... corpo, ser político. a porta de saída da festinha é ali na esquerda.
Cosentino Colibri Clara
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Comentários
André Aranha
André Aranha achei esse final muito esquisito? e eu tava gostando muito, mas não entendi o que quis dizer? uma ambiguidade incômoda, eita, de repente um banho de água fria de política mesmo.
André Aranha
André Aranha daí ir lendo de baixo pra cima, voltando as frases. ia dizer que não queria falar de política - mas falou? 
poucos dançam
e só agora que vi, linhas acima: em meio a fortalezas duras e irreversíveis. irreversíveis?
André Aranha
André Aranha realmente, que doido, eu sinto que no final do texto você veio, e parou a música, e falou: que porra é essa que está acontecendo? vc está só lendo como curtição, sem prestar atenção nas sutilezas?
Santiago Perlingeiro
Santiago Perlingeiro vc não entendeu nada, Andrei, o final é o melhor, justamente pq não tem nada a ver com política, só referência (geográfica?)