Que bom estar aqui, de novo, sentado para escrever um texto. Um pêndulo que se vai, e volta, e na ida praticamente esquece do que era tão intensamente por um momento. Aqui. Pisando na língua livre: escrever sem compromissos. Apenas querendo passear, jardim, numa pura feira livre dos pensamentos, numa grande horta, a assembleia das teorias, a confusão mental os animais falando ao mesmo tempo que vacas árvores o centro da terra. Como um elevador, deixar-me pendular entre o céu a lua astros deusas dias nuvens nuvens um urubu, um raio e a chuva muita, grossa, espessa mesmo. Sem ser engolido pela baleia, alimentar-me (aqui, na teta do texto) dessa inspiração, dessa fagulha querida, de pensar-me ser-me recordar-me recompreender-me através e sob os olhos inanimados da letra. A estátua obelisco do artesão e seu barro e forma, cultivando gestos e tinta viva para o hieroglifo numa pira sacrificial o símbolo golem, a parede falando, o chão como um túmulo e o mar rugindo deus, o milagre da boca que abre e fala encarnada, a montanha, o leão, o imenso verme imperador da duna e sua boca em V putrefato pluto patri da cruz da morte (e o demônio por detrás, ou em cima mesmo). Animais ditos fêmeas e suas duas bocas. Destrinchar a busca da primavera, e do verão e também do inverno, o mundo do sonho em que trafegamos batalhando a defesa e a invasão do bonito.
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