Que bom estar aqui, de novo, sentado para escrever um texto. Um pêndulo que se vai, e volta, e na ida praticamente esquece do que era tão intensamente por um momento. Aqui. Pisando na língua livre: escrever sem compromissos. Apenas querendo passear, jardim, numa pura feira livre dos pensamentos, numa grande horta, a assembleia das teorias, a confusão mental os animais falando ao mesmo tempo que vacas árvores o centro da terra. Como um elevador, deixar-me pendular entre o céu a lua astros deusas dias nuvens nuvens um urubu, um raio e a chuva muita, grossa, espessa mesmo. Sem ser engolido pela baleia, alimentar-me (aqui, na teta do texto) dessa inspiração, dessa fagulha querida, de pensar-me ser-me recordar-me recompreender-me através e sob os olhos inanimados da letra. A estátua obelisco do artesão e seu barro e forma, cultivando gestos e tinta viva para o hieroglifo numa pira sacrificial o símbolo golem, a parede falando, o chão como um túmulo e o mar rugindo deus, o milagre da boca que abre e fala encarnada, a montanha, o leão, o imenso verme imperador da duna e sua boca em V putrefato pluto patri da cruz da morte (e o demônio por detrás, ou em cima mesmo). Animais ditos fêmeas e suas duas bocas. Destrinchar a busca da primavera, e do verão e também do inverno, o mundo do sonho em que trafegamos batalhando a defesa e a invasão do bonito.
quinta-feira, 27 de novembro de 2025
quarta-feira, 10 de setembro de 2025
quarta-feira, 2 de julho de 2025
Utopia tá tudo bem
domingo, 15 de junho de 2025
segunda-feira, 26 de maio de 2025
Achei a sua mão tão gorda. Grande, pesada, dedos grossos. Te levantar você engordou imenso, um peso que não dá pra carregar. E lavar a mão... Te olhar com outros olhos. Foram 2 dias mas tanta coisa mudou meu filho. Eu falei pra sua mãe: quando soubemos que a sua irmãzinha estava a caminho, sua mãe chorou porque sabia que afastava de você. Agora que ela chegou, a sua mãe te reencontra, cada vez mais; ainda que dividida, ela se reaproxima. Essa noite foi ela quem te acudiu no seu pesadelo; hoje vocês deitadinhos lado a lado conversando sobre a lua tava bonitinho demais. Mas pra mim não é um reaproximar, é só o início do dividido. Esses últimos meses você falou papai primeiro, a gente tava mó duplinha você só queria saber de mim. Isso é muito gostoso, ainda que seja puxado, é muito gostoso. Quando você vem e enfia a cara entre meus joelhos me abraçando. Quando no meio da noite exclama pai, paaai sabendo que eu logo virei ali te atender e ver sua fralda cheia. É uma honra ser depositário de tanta confiança, eu me orgulho disso. Essas últimas semanas então, comigo já de licença, você ficou doentinho e eu fiz mil programas contigo, inventamos a brincadeira do cadê minha banana! me dá um pedacinho! bom demais. Daí hoje com todos aqui, ou ontem quando vocês se conheceram e eu queria te pôr pra dormir no teu quarto porque na sala sua irmã já estava dormindo... acho difícil imaginar o que você está sentindo sem entrar numa pilha de projeções muito racionais. Eu fico me sentindo sufocado por você estar aqui e não ser o centro da minha anteção, me sinto duplamente sobrecarregado, você é tão intenso, sua irmã tem exigências incontornáveis... Acho que me dá esse desespero de não conseguir lidar com os dois, e num sentido mais profundo, não entender qual eu amo mais, como é isso de dividir esse amor de pai. Não vamos mais ser a duplinha óbvia do filho único, esse colamento total foi rompido, agora... agora vamos descobrir.